Ansiedade no Trabalho no Contexto da Pandemia – por Colleen Reed – Parte 2

Ansiedade no Trabalho no Contexto da Pandemia – por Colleen Reed – Parte 2
14 de julho de 2020 Jardim da Saudade

Nestes casos, é comum ouvir: “Sei que o medo que sinto não é proporcional ao tamanho do problema”. Mas não é apenas uma questão de mudar o mindset, de olhar a situação de um ângulo diferente. Quando não se está organizado emocionalmente o ideal é buscar ajuda profissional, para entender e descobrir se a ansiedade é patológica ou não.

Acolher este sentimento também faz parte do processo terapêutico e de autoconhecimento, em vez de lutar contra acreditando que precisa parar de ficar ansioso. Sobre este processo, Lowen, A. (1910), em seu livro intitulado Bioenergética afirma:

Essa ajuda consiste em auxiliar a pessoa a compreender sua ansiedade e a descarregar a excitação, por meio da expressão dos sentimentos. Quando o caminho da auto expressividade está desobstruído, o nível energético pode ser mantido num alto teor de excitação, tendo como resultado um corpo com uma vibrante vivacidade e totalmente responsável à vida.” LOWEN, A. (1982, 115 p.).

Porém, estamos mais em contato com o mundo externo do que o interno. A sociedade exige que estejamos sempre produzindo e dando resultados. Incorporamos esta rotina, e acreditamos que devemos dar conta do trabalho e ao mesmo tempo ter uma vida social, cuidar da saúde, estudos, etc.

Tudo isso é imposto a nós, fazendo com que tenhamos uma falsa crença de que temos o dever de estar sob controle de todos estes âmbitos de nossa vida.

E assim, vamos tentando dar conta deste malabarismo, sem ter consciência do sofrimento que todas estas exigências ocasionam. Esta mentalidade que robotiza o ser humano o afasta de sua humanidade. Tira de nós a possibilidade de elaborar e sentir o sofrimento, de nos dar tempo.

O Brasil está em 4ª posição entre os países em que a ansiedade apresenta as maiores taxas ao redor do mundo. Interessante observar também que, segundo os autores Mandolini, V., Andrade, L. H., & Wang, Y.–P. (2019), “quadros de fobia específica foram os transtornos mais prevalentes e mais persistentes na população geral investigada”. Porém, o transtorno do pânico foi o quadro mais frequente na busca por serviços especializados.

Assim, podemos concluir que o sentimento de ansiedade influencia na forma com que enxergamos e lidamos com a nossa vida e as adversidades que ela nos apresenta. Momentos como o atual, em que a pandemia nos freou e forçou um contato com o tempo presente, dão a oportunidade de refletirmos sobre a nossa capacidade de vivenciar o agora.

Não devemos lutar contra os sentimentos que surgirem, mas sim acolhê-los, conhece-los para assim conhecermos mais sobre nós mesmos, nossos limites e capacidades. Ao compreender e ressignificar estes afetos nos tornamos mais presentes, mais protagonistas de nossas vidas.